Roteiro de botequins tradicionais do Rio: Bar Luiz, Armazém Senado e Bar Brasil

Roteiro de botequins tradicionais do Rio: Bar Luiz, Armazém Senado e Bar Brasil

Do Rio de Janeiro:

Ézio surgiu da cozinha carregando uma grande e tentadora travessa. Foi o ponto alto do encontro, o ápice. Diversos joelhos de porco recém- saídos do cozimento. Impossível resistir. Nosso amigo se aproximou da mesa e pudemos escolher a dedo qual dos pedaços daquela maravilha suína nós queríamos. “Vou trazer aperitivo”, completou o gentil garçom. Que coisa deliciosa!

Minhas passagens no Bar Brasil sempre são marcantes de alguma forma. A casa já se tornou escala obrigatória nas jornadas pela Lapa, os roteiros de botequim de inicio de ano que já são tradição entre meus amigos. A princípio o encontro estava marcado para quinta-feira. Era a primeira semana de 2011 e tudo ainda estava muito devagar. As ruas do Rio de Janeiro mais calmas, a não ser pelo alvoroço dos turistas. Marcelo, um amigo meu de São Paulo, veio ficar hospedado uns dias lá em casa. Por conta dele, acabei antecipando o programa para terça.

Bar Brasil, botequim historico, joelho de porco, comida alema, Lapa, Rio de Janeiro (2)

Travessa de joelhos de porco no Bar Brasil

Bar Brasil, botequim historico, joelho de porco, comida alema, Lapa, Rio de Janeiro (3)

Não resistimos e pedimos uma porção

Bar Brasil, botequim historico, joelho de porco, comida alema, Lapa, Rio de Janeiro (4)

O querido garçom Ézio com seu joelho no prato

Cumpri uma promessa que fiz para mim mesmo no final de 2010: voltar ao Bar Luiz. Foi um dos primeiros programas do novo ano que começava. A velha casa da Rua da Carioca nos bem recepcionou naquele dia quente de janeiro, com potentes máquinas de ar-condicionado. Começamos tarde, por volta das 17h – quando consegui me livrar de alguns compromissos de trabalho. Acabou por ser um roteiro miniatura, que por outro lado teve mais substância nos poucos bares em que estivemos.

O bom chopp da Xingu, preto, e um Bolo de Carne (R$ 8,00) abriram nossa missão. Esticamos papo Marcelo e eu ali no Luiz, no aguardo de Thiago, que tempos depois apareceu. Uma Salsicha bock simples (R$ 16,00) encerrou o expediente na casa. Tudo acabaria não lembro que horas, no Cervantes. Não tenho fotos, e pouco eu me lembro deste fim. Por isso mesmo resolvi colocá-lo no meio. Estava ainda avoado, talvez, entorpecido pelas festas de final de ano, ou de tanto comer a mesma comida de réveillon por dias a fio. Sei que são poucos os relatos escritos sobre este roteiro, que quase caiu no esquecimento não fosse à foto de um gato.

Procurei nas minhas coisas, entre tantas pautas misturadas e um caderno cheio de escritos confusos. Foram muitos programas em janeiro, perdi um pouco o controle das coisas. Bati o olho numa foto que gostei bastante, a de um gato rechonchudo no chão do Armazém Senado. Quando foi que tirei esta foto? Pensei comigo mesmo. Os fios foram se juntando. Do gato, passei para a travessa de joelho de porco do Bar Brasil e minha memória aos poucos refrescou.

Armazem Senado, bar historico, Centro do Rio (3)

O velho Armazém Senado

Armazem Senado, bar historico, Centro do Rio (2)

A imagem do gato que me fez querer escrever a pauta esquecida

Após sairmos do Bar Luiz, cruzamos a Praça Tiradentes e entramos na Rua do Lavradio. A idéia era parar para uma cerveja, e quem sabe um caranguejo, no Mangue Seco, defronte ao Rio Scenarium. No entanto, um show de MPB nos espantou. Para fugir da voz e violão, nos refugiamos no Armazém Senado, logo ali perto. Um gato gordo rastejava por entre nossas pernas. Ele foi deitar do outro lado. Ficamos junto ao balcão. Só tinha Skol. Porque será que a Skol sempre sobra por ali? Só mesmo o curtir da beleza mal cuidada daquela centenária casa para tomar uma Skol.

Não tem muita coisa para comer na casa. Um salame, algum sanduíche simples. Gosto de observar e sentir aquele tempo em extinção, uma Lapa e um Centro que desaparece aos poucos. Saquei uma foto do gato. São os mesmos clientes de sempre. Parecem que se apegam ao velho armazém como as garrafas que marcam o mármore do balcão. Por quanto mais poderei testemunhar aquilo? Não é que eu goste do tom decadente daquele espaço-tempo. Apenas me sinto atraído, fascinado por aquele mundo que se derrama na esquina. Não fosse a Skol, teríamos ficado um pouco mais por lá.

Bar Luiz, Rua da Carioca, botequim historico, comida alema, Rio de Janeiro (5)

Bar histórico da Rua da Carioca

Bar Luiz, Rua da Carioca, botequim historico, comida alema, Rio de Janeiro (2)

O sempre bem vindo Bolo de Carne do Bar Luiz

Bar Luiz, Rua da Carioca, botequim historico, comida alema, Rio de Janeiro (3)

O bolo de carne é macio por dentro e crocante por fora

Lá estava o Ézio, nos aguardando com um pano branco apoiado no braço. Sempre aponta a mesa redonda, perto da antiga geladeira de madeira, para ficarmos. Marcelo se pegou surpreso com a quantidade de bons e clássicos restaurantes alemães no Rio. “Aqui era a capital”, disse mais ou menos assim o Thiago. A cidade recebeu grande leva de suíços e alemães. De alguma maneira a culinária alemã caiu no gosto popular e junto com a portuguesa influenciou fundamentalmente nossa cozinha.

No caso dos alemães e suíços, parte da culpa pode estar no chopp. Foram eles que introduziram a bebida por aqui, que pegou de cara e é a cara do Rio. Os primeiros bares a servirem chopp eram suíços ou germânicos, como o Luiz. Hoje temos, ao menos, quatro casas alemãs entre os melhores botequins da cidade: Bar Luiz, Bar Brasil, Adega do Pimenta e Bar Lagoa.

O ótimo chopp caldereta, na pressão, caiu muito bem e serviu para limpar o gosto sem gosto da Skol. O Genuíno e o Guguta apareceram na área e mandamos vir uma porção de Kassler Aperitivo. Nem tão barato, mas muito bom (dois pedaços por R$ 36,00). Eis que surgiu a travessa tentadora de joelhos de porco cozidos. Mal terminamos o primeiro pedido e Ézio encomendou um joelho cortadinho (R$ 26,00), acabado de vir da cozinha. A felicidade foi geral. Para mim o ciclo de comidas havia se encerrado, após eu ter me ajoelhado ao último pedido.

Bar Luiz

Funcionam de segunda a sábado das 11 às 23h30m.

Endereço: Rua da Carioca, 39 – Centro. Rio de Janeiro (RJ).

Contatos: (21) 2262-6900 / (21) 2517-0458 / barluiz@barluiz.com.br

Para saber mais: www.barluiz.com.br

Armazém Senado

Funcionam de segunda a sexta das 8h às 20h e sábado das 8h às 16h.

Aceitam cartões de débito e crédito.

Endereço: Avenida Gomes Freire, 256

Contato: (21) 2509-7201

Bar Brasil

Funciona de segunda a sexta 11h30m às 23h. Sábado das 11h30m às 16h.

Aceita cartões de debito e crédito (menos American Express)

Endereço: Av. Mem de Sá, 90.

Contatos: (21) 2509-5943 / barbrasil@globo.com