Rota do Acarajé: bom botequim baiano

Rota do Acarajé: bom botequim baiano

De São Paulo:

Um das regiões que mais tenho gostado de explorar em minhas caminhadas urbanas em São Paulo é a de Santa Cecília. Muito bem servido de transporte público, o tradicional bairro além de reunir um interessante conjunto arquitetônico, também oferta um comércio e uma população muito eclética (o que sempre me atrai).

A despeito de ter sofrido um longo processo de decadência, que teve grande impulso com a chegada do monstro do Minhocão, de uns anos para cá a área tem testemunhado certa revalorização, puxada principalmente pela classe média que foge dos preços altos de outras regiões nobres da cidade e busca um estilo de vida que preza a calçada, o comércio de rua e a proximidade da área central da cidade e sua vasta gama de opções culturais.

Rota do Acaraje, comida baiana, Santa Cecilia, Sao Paulo (17)

Como não poderia deixar de ser numa casa baiana, a pimenta estava quente

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O ambiente é simples, colorido e cheio de detalhes decorativos

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A vista a partir da rua deste descontraído botequim baiano de Santa Cecília

Ainda há muito que melhorar por ali. Faltam mais áreas verdes, um trato melhor na iluminação e nas ruas, é bem verdade. Não se pode dizer o mesmo, porém, de restaurantes e bares atraentes. Um destaque de Santa Cecília, sem dúvida, é o Rota do Acarajé. Desde a primeira vez que ouvir falar do tal botequim baiano fiquei louco de ansiedade por conhecê-lo.

Aproveitei a visita da família e embarquei meus sogros e minha cunhada para uma viagem até o antigo bairro, já preparando minha fome para o que estava por vir. Sabíamos que encontrar uma mesa em qualquer parte da cidade naquelas treze horas de sábado seria difícil e assim nem ligamos de nos espremer (a princípio) numa mesa que seria de quatro. Aperta todo mundo no banco de madeira que dá. Logo descolamos um banquinho a mais.

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O início da jornada foi na boa porção de queijo coalho

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A parede exibe o painel com alguns rótulos especiais de cerveja

O serviço é um pouco caótico e lento, mas faz parte do programa. Se estiver com pressa, então procure outro lugar para sentar. O negócio do Rota é esticar o almoço, ficar de papo um tempo tomando cervejas, beliscar umas entradas e hora ou outra finalmente comer.

O cardápio da casa contempla uma vasta gama de opções de beliscos típicos da Bahia, do caldo de mocotó, passando por pedidas sertanejas como a carne de sol, queijo coalho e indo até o arrumadinho e o acarajé de Salvador. Isto sem contar as várias possibilidades de acompanhamentos. Ou seja, dá para passar horas montando um delicioso quebra cabeças.

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Minha cunhada Renata ficou no Acarajé no prato

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Meus sogros mandaram ver no Baião de Dois

As opções variadas, no entanto, não se restringem só as comidas. O bar também oferta uma boa variedade de cervejas, com dezenas de rótulos e uma infinidade de cachaças que podem ser apreciadas puras ou em caipirinhas de frutas diversas. Eu não disse que é um bom lugar para esticar à tarde? Pra que ter pressa. “Mais uma cerveja, por favor, e uma porção de queijo coalho”.

O que não falta a casa, também, é personalidade. O clima é bastante descontraído, a falação é alta e o ambiente é simples, mas colorido e cheio de cuidados e detalhes decorativos. O botequim reúne um público com perfil mais alternativo. Gente que busca fugir um pouco do padrão, mas também o povo que gosta de boa comida baiana. Estejam certos de que não vão se decepcionar.

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Nosso pedido espalhou-se pela mesa em vários potes…

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…denominado Mesa Baiana. Que mesa!

Não exageramos nos petiscos para reservar um espaço no estômago para os pratos principais. Pelo que testemunhamos nas vizinhanças de nossa mesa, as porções são enormes e vão de clássicos como o Baião de Dois até as moquecas caprichadas (com dendê, do jeito que baiano gosta).

Uma porção de um bom queijo coalho deu para matar um desejo inicial de belisco. Eu e Silvia queríamos seguir mais a frente nos petiscos, mas a família estava com fome e resolver partir logo para os principais. Minha cunhada pediu um acarajé no prato (vem todo desmontadinho para brincarmos de encaixar as peças: camarão seco, molho vinagrete, vatapá, caruru etc.). Ela cometeu o pecado de pedir sem pimenta, mas isto é questão de gosto.

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Após a comilança não resisti e tomei uma aguardente Musa

Meus sogros partiram para o Baião de Dois. O pedido veio numa grande tigela, a qual os dois ficaram longe de dar conta. A parte deles que sobrou me serviu de belíssimo almoço de domingo. Eu e Silvia, na intenção de meio ficar de beliscos, optamos pela Mesa Baiana: farofa de dendê, carne de sol acebolada, feijão fradinho cozido, salada do acarajé, mandioca frita, arroz e quatro miniacarajés. É isso tudo ai mesmo, uma loucura.

Foi assim que nossa mesa cobriu-se inteira de potes, cada um com uma das partes do grande conjunto que solicitamos. Achamos tudo bom, com destaque especial a massa crocante do miniacarajé e a mandioca (aipim, para não me afastar das origens cariocas) crocante e sequinha. Bem verdade que não comi nada de absolutamente espetacular, mas no todo, terminei o serviço bastante satisfeito com a comida. Para fechar a questão solicitei uma dose de Aguardente Musa de banana. Queria a Prata, mas eles só tinham a Ouro. As duas são muito boas. Geladinha… Recomendo.

O Rota do Acarajé é um local onde eu gostaria de voltar ao menos uma vez por mês para passar uma tarde de sábado comendo uma boa culinária baiana e apreciando diferentes marcas de cerveja e ou cachaça. Só não faço isso porque tenho outros 10 mil lugares ainda para conhecer em São Paulo. Porém uma volta a casa já está reservada em minha mente, logo, logo.

Rota do Acarajé

Funciona de terça a Sábado das 12 h as 23 h (o bar até às 24h). Domingos das 12 h as 18h30m (o bar até 19h30m).

Rua Martim Francisco, 529 – Santa Cecília. São Paulo (SP).

Contatos: (11)3668-6222 / (11)3825-3984 / (11)3892-6222

Aceita cartões de débito e crédito

Para saber mais: www.rotadoacaraje.com.br