Saint-Barthélemy – vários paraísos em uma só ilha

Saint-Barthélemy – vários paraísos em uma só ilha

De Saint-Barthélemy:

Sendo um dos destinos mais exclusivos do mundo é óbvio imaginar que uma temporada por lá soaria apenas como um sonho distante no pensamento dos meros mortais da classe média.  Porém, não há nada de óbvio na pequena ilha de 21km2. É ligada à França, mas possui autonomia que lhe dá o tom de coletividade. Por muitos anos foi domínio sueco (é isto mesmo!). O Francês é a língua oficial, mas fala-se inglês pra todo lado, sem contar espanhol, italiano e português, sim – o da terrinha.

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Vista da Baía de Saint-Jean: águas azuis cristalinas e vegetação preservada

O Jet set prefere discrição por lá, para em paz descansar as pernas na areia, longe dos holofotes. A ilha é para as celebridades que querem se esconder e não aparecer. Por isto mesmo, surpreendentemente, não tem um clima de ostentação comum a outros destinos dos ricaços e famosos.

Apesar dos imponentes barcos e iates descansando no porto de Gustavia (a capital), passar uns dias por lá é mais acessível do que se poderia supor. É claro que para quem pode os quartos de mais de 5mil euros o pernoite no hotel Tawaina vem bem a calhar. Ou quem sabe uma semana em uma vila por milhares de dólares. Vamos mais devagar.

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A simpática capital Gustavia: lojas de grifes, galerias de arte e muitos restaurantes

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Veleiros e lanchas descansam no porto da capital, Gustavia

A ilha também conta com hotéis que cobram preços não tão superiores ao que estamos acostumados a pagar nos balneários nacionais. Existe a opção de casas para alugar (que lá eles se referem como vilas), que dependendo do tamanho, local ou época do ano, também podem compensar para um grupo de amigos ou família. Com exceção de setembro-outubro (época dos furacões, quando muitos lugares nem funcionam) o tempo é praticamente imutável (um pouco mais de calor ou frio, pouca chuva e muito sol).

Os amantes de praia vão se esbaldar com as águas cristalinas e quentinhas, para todos os gostos. Tem praia para a galera do surf, do kitesurf e para as famílias e casais que preferem apenas molhar os pés em um mar calmo. Algumas são mais isoladas e outras próximas da área urbana da capital (a pequena e simpática cidade de Gustavia).

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A calma e belíssima praia de Gouverneur é para quem busca tranquilidade

Em todas as praias, sem exceção, é possível relaxar sem o menor perigo de um gaiato levar sua máquina fotográfica ou carteira e sem ninguém encher o nosso saco empurrando bugigangas ou gritando abacaxi em nosso ouvido. A população local é extremamente gentil e educada, independente do valor da nossa conta bancária.

Como bem disse uma amiga que nos recepcionou o índice de criminalidade lá é zero vírgula zero. Tirando o jeito meio aventureiro com que os locais dirigem pelas ladeiras, a sensação em passear totalmente despreocupado é impagável. Até nos faz sentir falta de um mínimo de perigo, só para dar emoção. Bom, talvez a aterrissagem num bimotor Tcheco no pequenino aeroporto local – apertado entre a faixa de areia e um morro – calibre um pouco as coisas. Tudo compensa para se chegar ao paraíso caribenho. Aos paraísos, melhor dizendo.

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A pista do mini aeroporto de Saint-Barthélemy termina na faixa de areia da praia de Saint-Jean

Como este blog trata dos cotidianos na cultura do comer, então vamos nos ater a gastronomia de Saint Barth. Quem quiser saber mais sobre a ilha, opções de hotéis e informações turísticas, sugiro que acessem a página da Agência GSP Travel, que é especializada em Saint-Barthélemy – e pela qual viajei com minha esposa, com ótima impressão.

A cultura do comer

Por pertencer à França, os mercados da ilha ofertam todos os maravilhosos produtos que só os franceses sabem fazer como queijos, vinhos e por ai vai. Tudo a um preço por vezes menor do que a brasileirada que vai a Paris encontra, pois Saint-Barthélemy é uma zona franca. Ou seja, umas comprinhas básicas para um lanche no hotel ou em casa não vão decepcionar ao paladar e aos bolsos. A quem preferir explorar os bares e restaurantes locais, ficará bastante satisfeito com a diversidade de perfis de estilo e preço – de um caro italiano, a um boteco com um bom hambúrguer a um preço ok.

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Seção de queijos franceses em uma mercado de Saint-Barthélemy

Saint-Barthélemy reúne gente de tudo que é lugar. Há muitos portugueses, italianos, espanhóis e tantos outros povos na ilha. Sem contar os franceses, claro. Isto se reflete na diversidade de tipos de comida que é possível se encontrar por lá. Acrescenta-se ao caldeirão o fato de estarmos em pleno Caribe, que já possui um verdadeiro mix de influências na culinária típica.

Para dar um pequeno exemplo do que encontrei por lá: os bolinhos fritos Accra (que me remeteram fortemente as pataniscas portuguesas) tem origem na comunidade afro-americana de outras ilhas da região como Jamaica. Vindo da América do Sul, o ceviche peruano encaixou-se perfeitamente ao clima local e a oferta de peixes frescos. Por outro lado, é possível se comer um maravilhoso fois gras caseiro a beira mar.

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Os bolinhos de bacalhau a base de ovo de nome Accra. Tradicional na culinária créole

Por incrível que pareça os mares ao redor de Saint-Barthélemy não ofertam uma grande variedade de peixes. Os mais comuns são o atum e o dourado (que os nativos chamam pelo simpático nome de Mahi Mahi) sempre servidos muito frescos. Posso dizer com certeza que eu comi lá o atum mais fresco da minha vida, pescado talvez não mais do que a 1 km da mesa onde sentei para jantar e no mesmo dia. Uma experiência maravilhosa e cada vez mais rara.

O Mahi Mahi está presente em praticamente todos os cardápios da ilha, nas mais diferentes versões. Até em sanduíches. O hambúrguer de peixe dourado do Jojo Burguer, por exemplo, me faria abandonar certamente uma suculenta carne de boi.

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Fantástico hambúrguer de Mahi-Mahi do Jojo Burguer

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Ceviche de mahi mahi fresquíssimo servido no restaurante do Taiwana

A pouca variedade de peixes nos mares locais é contornada com a importação. O polvo vem da costa do México e as lagostas pescadas em ilhas vizinhas. Os camarões, trazidos do sul dos Estados Unidos. Dos EUA também vem à carne de boi texana, de excelente qualidade – diga-se de passagem.

Mesmo sendo um lugar pequeno, em sete dias na ilha não consegui dar conta de explorar todas as possibilidades gastronômicas em oferta. Para resumir a viagem, deixo mais abaixo uma lista dos locais que tive a oportunidade de conhecer e gostei. Boa viagem.

Eddy´s

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Simpaticíssimo e aconchegante, o Eddy´s é parada obrigatória para quem quer explorar a culinária típica do Caribe. Os pratos são uma fusão entre o créole e a gastronomia francesa, além de outras inspirações diversas que o dono, o Eddy, trouxe de suas viagens mundo a fora. Foi um dos locais que mais gostei em Gustavia e bom lugar para se provar uma porção de Accra, bolinho de peixe muito comum na região. Não deixe de bater um papo o Eddy – ele tem muita história boa para contar. Nascido em Saint-Barthélemy, sua família é uma das mais antigas a habitar a ilha. Não tem endereço na internet, mas é só caçar que achará muitas referências de diferentes fontes.

Jojo Burguer

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A tradicional e imperdível hamburgueria serve ótimos hambúrgueres de carne de boi como um cheese burguer com queijo de cabra francês delicioso. O de mahi mahi, no entanto, me chamou bastante a atenção. Está longe de ser simplesmente uma espécie de McFish. O peixe dourado é fresquíssimo. O Jojo Burguer é uma ótima alternativa para quem busca uma refeição barata no pós-praia.

Le Select

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Como dizem os locais, o Le Select é o coração (ou seria o fígado?) de Saint-Barthélemy. Aberto em 1949, trata-se do bar mais antigo da ilha ainda em atividade e parada obrigatória para quem passa pelo pequeno e exclusivo paraíso do Caribe. O lugar é um lindo botequim colorido e cheio de pequenos detalhes – exatamente o tipo de bar que sempre imaginei encontrar na região. As velhas caixas de som disparam música típica, enquanto o público (bastante variado entre habitantes locais e turistas endinheirados ou não) busca cerveja gelada no balcão. Longe de ofertar uma comida de alto padrão, o Le Select é o lugar para se comer um bom hambúrguer popular, ou o velho e conhecido podrão. Eu amo! Provem o Marius Special. Há muitas referências sobre a casa na internet para quem quiser saber mais um pouco sobre lá. Ao chegar à Saint-Barthélemy, qualquer um saberá indicar a localização.

Sayolita

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Frequentado por surfistas e locais, o agitado e pequeno bar, na área de Saint-Jean, é regado por muito rock alternativo, música latina e reggae. O clima jovem e descontraído me conquistou. Tem um ótimo cardápio de drinques a preços bem acessíveis. O Mojito é realmente especial. Para acompanhar os coquetéis, o bar serve porções inspiradas na culinária japonesa como sashimis e hosomakis, além de petiscos de influência peruana como ceviches.  Não tem site, mas como tudo naquela ilha, vocês não terão trabalho em encontrar.

L´isoleta

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Filhote do L´isola (restaurante chique e com a melhor cozinha italiana de Gustavia) o L´isoleta também é comandado pelo chef Fabrizio Bianconi, com uma proposta mais descontraída e acessível – nem por isso menos gostosa. Eu adorei o conceito do lugar. Tem um esquema de serviço rápido, onde se escolhe o que se quer no balcão e arruma-se um canto nos grandes sofás da varanda para se esbaldar com as ótimas pizzas e focaccias da casa (entre 7 e 9 euros) – enquanto se surfa na web. Está longe de ser um fast food estilo podrão.Tudo é mundo charmoso e a comida de excelente qualidade. Podem entrar em contato através do site do L´isola: lisolastbarth.com

Le Taiwana

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Localizado em uma das pontas da praia de Flamands, o restaurante do elegante hotel Taiwana dispõe de um visual fantástico do mar. Tive, para minha sorte, a oportunidade de provar alguns pratos do cardápio internacional. O restaurante serve um foie gras caseiro espetacular de entrada. O ceviche de peixe do dia (geralmente mahi mahi) também é uma ótima pedida. Como prato principal, uma grata surpresa foi o excelente e suculento contra filé grelhado. hoteltaiwana.com

Bonito

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O nome já diz realmente tudo. A decoração e o clima são aconchegantes e o serviço impecável. Separe uma noite sem muita preocupação com gastos e abra a jornada com um coquetel. A cozinha, com uma fusão bem vinda entre a culinária francesa e latina, é fantástica. Explore os frutos do mar e não deixe de pedir um ceviche de entrada – pequeno, porém imperdível. O lugar é ideal para se curtir a vista do Porto de Gustavia, seja num final de tarde tomando os ótimos drinques no bar do salão, ou durante um jantar romântico. ilovebonito.com

Sand Bar

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O bar e restaurante do Hotel Eden Rock fica na beira da belíssima praia de Saint-Jean e tem o cardápio assinado pelo chefe francês Jean-Georges. O menu inclui pratos leves como pizzas, sanduíches e saladas, além de algumas entradinhas deliciosas como os bolinhos fritos de caranguejo a base de milho e especiarias da foto. edenrockhotel.com