A comida tropeira e caipira do Arimbá

A comida tropeira e caipira do Arimbá

São Paulo:

O Arimbá resume perfeitamente o apreço que temos pela cozinha caipira e tropeira: confortável, atraente, deliciosa e muito farta.  O ambiente rústico e simpático, decorado com peças que lembram uma casa de roça, inclui o fogão a lenha onde são preparados alguns dos itens mais tentadores do cardápio.

Talvez justamente por este clima interiorano (bem no meio da correria Paulistana) é que temos vontade de ficar por ali esticando prosa, sem pressa, enquanto degustamos uma cachaça (há um grande número de opções) e petiscamos torresmo despreocupados com neuras calóricas e as ansiedades da cidade grande.

Arimba restaurante, Perdizes

A cozinha com o fogão a lenha

Admiro o trabalho da chef Angelita Gonzaga desde os tempos em que comandava a cozinha do Garimpos do Interior, na Vila Romana. Valorizo o seu resgate do que chama de “comida tropeira, cam­peira e cai­pira”. É uma revisita as coisas da terra, as tradições e a cozinha simples e bem cuidada de raiz – isso sem pender para aquele estilo over de alguns restaurantes bufê de comida caipira exagerados e sem charme.

Demorei um pouco para ir ao Arimbá porque a experiência tem de ser compartilhada, no mínimo, por três seres humanos com fome. Do contrário é impossível de começar a dar conta das porções.

Arimba, comida caipira

Ambiente rústico e simpático

O dia certo chegou quando consegui juntar dois caboclos, meus chapas da Esquina Filmes, para um almoço de dia de semana.  Creio que não teve um item no cardápio que não tivesse nos atraído, que não quiséssemos devorar. Difícil foi passar das Caipirices para Começar, ou a primeira página de entradas.

Por sugestão da equipe da casa, que é muito gentil, iniciamos com os Pastéis de Angu (farinha de fubá de moinho d’água, recheado com queijo ou carne). Pedimos uma meia porção dividida entre carne e queijo. O pastel é surpreendentemente crocante e leve. Sem dúvida o melhor Pastel de Angu que eu comi. A meia porção pareceu pouco, mas era preciso guardar espaço para outras entradas.

Arimba restaurante, pastel de angu

O Pastel de Angu é surpreendentemente crocante e leve

Arimba restaurante, tabua defumada

Linguiça defumada no fogão a lenha com cubos de queijo canastra

Na sequência solicitamos a Tábua Defumada (R$ 42,00), uma travessa bem servida de salaminho de linguiça defumada no fogão a lenha com cubos de queijo canastra e pão com manteiga de ervas. Tudo muito bom, da linguiça ao pão.

A seguir, então, o Rojão. Pedida mais popular do Arimbá, o Rojão pode ser apreciado tanto como prato principal (com andu tropeiro, arroz, vinagrete e farofa), assim como petisco (com farofa, vinagrete de pimenta de cheiro e molho de maracujá). Em ambos os casos é bom contar ao menos três pessoas para dar conta do recado.

Arimba, Rojao, Perdizes

O espeto de carne de porco moída preparado no fogão a lenha

O enorme e suculento espeto de carne de porco moída e preparada no fogão a lenha é como uma cafta gigante e deliciosa da roça. É uma coisa de maluco de tão boa, que coloco certamente na minha lista de programas gastronômicos imperdíveis em São Paulo.

Por conta da intensa procura a equipe teve que começar a importar o Rojão de um fornecedor em Ribeirão Grande, interior de São Paulo, já que a produção na própria cozinha do restaurante não atendia a demanda.

Arimba restaurante, linguica artesanal

Assado de costela bovina em tiras com linguiça temperada com cachaça

Acredite se quiser, mas depois do Rojão ainda arrumamos espaço para mais uma “Caipirice”:  Tiras do Alambique (R$ 43.50) – Assado de costela bovina em tiras com linguiça temperada com cachaça e molho de cebolas. A costela desmanchava a cada garfada e a linguiça… muito saborosa!

Mesmo com esta comilança toda deixamos muitas coisas interessantes para trás nas entradas como o Porco de Roça (preparado na banha), o Caldinho de Feijão Manteiga, a porção de Torresmo e por aí vai.

Arimba, cafe coado

Para fechar, o cafezinho no coador de pano com açúcar mascavo

Imagina que ainda há os pratos principais como a Galinha Caipira, o Guisado de Costela Bovina com banana da Terra o Coxão Duro Ensopado com Abóbora, o Arroz Carreteiro com cubos de charque o Andu Tropeiro (feijão andu, linguiça, couve, ovos e farinha de milho manjolo) entre outras maravilhas que devem ser devoradas sempre em um grupo. É um programa família na porção e no preço honesto.

No final de semana o funcionamento do almoço se estende até as 18h, mas fui informado pela equipe que o Arimbá passará também a abrir para jantar aos sábados. Boa decisão, diante das filas na porta.

Talvez o melhor dia para curtir com calma seja dedicar um almoço de sexta por lá, quando a casa abre das 12h às 23h. Mas lembrem-se de chamar um grupo de amigos bom de garfo!

Arimbá

Funciona de terça à quinta das 12h às 16h. Sexta das 12h às 23h. Sábado e domingo das 12h às 18h.

Endereço: Rua Min. Ferreira Alves, 464B – Pompéia. São Paulo (SP)

Contatos: (11) 3477-7063 / (11) 97594-8529

Para saber mais:

arimbarestaurante.com.br