Casa de Ieda: comida da Chapada Diamantina, com afeto

Casa de Ieda: comida da Chapada Diamantina, com afeto

De São Paulo:

A Casa de Ieda serve – em minha humilde opinião – o melhor Baião de Dois que eu já comi até hoje no eixo Rio-São Paulo. É isso mesmo! Um prato saboroso, com gosto, desses que a gente sabe que é feito com afeto.

É a própria Ieda que dá conta do serviço ali em seu pequenino, deliciosamente singelo e autêntico restaurante. Sei que é um pouco clichê, mas parece que estamos em sua casa. Talvez pelo atendimento gentil e pessoal, que nos faz sentir bem-vindos e aconchegados.

Baião de Dois da Ieda: o melhor que já comi até hoje em terras paulistanas
Da pequena cozinha Ieda conversa com os clientes e comanda o fogão

Ali, de sua pequena cozinha aberta, a baiana conversa com os clientes enquanto comanda o fogão. Simpatia em pessoa, Ieda diz que o seu segredo é não suavizar no tempero. Prepara o Baião do jeito que sempre comeu e que viu fazer ao longo de sua juventude na Chapada Diamantina – região no interior da Bahia que serve de inspiração para os seus pratos.

Aprendeu alguns segredos da cozinha regional, como salgar as carnes, observando o seu pai e hoje utiliza esta sabedoria no preparo de suas receitas que incluem alguns pratos típicos até então raros de se encontrar em Sampa, como é o caso do Godó de Banana Verde.

Outrora comum nos garimpos de diamante, o Godó é uma potente mistura de banana, carne de sol e arroz vermelho do sertão, que ainda é servido com chips de batata-doce no restaurante.

O Godó de Banana Verde: outrora consumido nos garimpos de diamante
Bolinhos de Estudante com Queijo Coalho e de Pirão de Coalho c/carne de Sol

O cardápio do local é muito enxuto e varia dia-a-dia (geralmente dois pratos principais, duas opções de entrada e uma sobremesa), mas o Baião de Dois está sempre lá. Todos os ingredientes são escolhidos a dedo e a maioria deles trazidos da Bahia, como é o caso do arroz vermelho.

Na companhia de um amigo, num almoço de quinta-feira, ainda nos deliciamos com as duas opções de bolinhos de entrada: o Bolinho de Estudante com Queijo Coalho e o Bolinho de Pirão de Queijo Coalho c/carne de Sol na Manteiga.

Ambos são muito bons, mas eu particularmente fiquei encantado com Bolinho de Pirão de Queijo Coalho com carne de Sol, de recheio cremoso e muito saboroso. Realmente um troço bom demais.

Mesas do restaurante: pequeno e simpático
Nas paredes, fotos familiares

Cada um também optou por um prato para almoço: eu fiquei no Baião de Dois da Ieda (R$ 28,00), servido numa travessa com arroz, feijão de corda, carne de sol, queijo de coalho e ainda acompanhado por farofa e molho lambão. Meu companheiro de jornada pediu o Godó de Banana Verde (R$ 28,00), também muito bom.

Fechamos a nossa passagem com um café (com grãos produzidos por cooperativa na Chapada) coado ali na hora pela própria Ieda.

O cardápio enxuto (e rotativo) descrito num quadro junto da cozinha

Comida impecável, bom atendido e, melhor de tudo, com um preço justíssimo no final da experiência. O que se pode querer mais?

Ieda começou a sua aventura pela gastronomia paulistana com o seu food truck Bocapiu, que como ela mesmo revelou, tinha o cardápio um pouco mais aberto, incluindo pratos do Nordeste como um todo e Norte brasileiro.

Como já falei aqui quando escrevi da Casa Buzina, os melhores food trucks conseguiram criar raízes, para nossa sorte. Ainda mais sorte para mim, já que a Casa de Ieda, nascida do Bocapiu, está próxima de minha casa, perto do Largo da Batata, em Pinheiros.

Vale para quem:

  • gosta de comida nordestina
  • adora Baião de Dois
  • quer comer bem e barato no almoço (eles não abrem no jantar)
  • está sozinho, em família ou em grupos de amigos (ideal até 4 pessoas)
  • em dias quentes não se importa em enfrentar o calor do salão sem ar-condicionado

Casa de Ieda

Rua Ferreira de Araújo, 841 – Pinheiros. São Paulo / SP

Funciona de terça a sexta das 11h30m às 15h. Aos sábados das 11h30m às 16h.

Contatos: (11) 4323-9158

Para saber mais: facebook.com/Casa-de-ieda