O shawarma do Aboud, no Largo do Paissandu

O shawarma do Aboud, no Largo do Paissandu

De São Paulo:

Em sua pequena birosca árabe no Largo do Paissandu o sírio Aboud serve, com muita simpatia, um dos melhores shawarmas de São Paulo, por um preço inacreditavelmente em conta.  

O shawarma do Aboud se destaca, em minha opinião, pelo equilíbrio entre os diversos ingredientes que compõe o grande sanduíche enrolado no pão folha, a começar pelo próprio uso de pão folha, ao invés de pão árabe (pita).

Nada ali parece se sobrepor e tudo se encaixa perfeitamente. A pasta de alho não rouba o sabor da carne e o tempero utilizado no assado também é perfeito. Cabe até pingar um pouco do molho de pimenta caseira que fica à disposição do cliente no balcão, para complementar.

De início eu estava na dúvida se pediria o de carne de boi ou de frango. O pessoal da casa me sugeriu, então, a versão mista. Que grande ideia! As fatias sortidas de carne, com uma casquinha deliciosamente crocante, ficaram ótimas juntas.

São duas opções disponíveis de shawarma: a de frango e de carne de boi

O pão serve de capa para os elementos, lá dentro enrolados com carinho. Depois de montado, o lanche é devidamente embrulhado num papel manteiga, que serve como uma espécie de fralda gastronômica, para não deixar o molho escapar pelas mãos.

O sanduíche é imponente e chega a assustar com o seu tamanho quando nos é servido. Por outro lado é incrivelmente leve e satisfaz sem entupir a gente. Um ogro pode até chegar a cogitar a possibilidade de seguir com outra leva…

Aboud chegou ao Brasil, vindo da Síria, há pouco mais de três anos, como um dos muitos refugiados que escolheram a capital paulista para recomeçar. Abriu seu negócio de shawarma em meados de 2017 e não demorou para conquistar seus fãs com uma receita que diz ser de família.

O Shawarma do Aboud já é um ponto conhecido no Largo do Paissandu

São Paulo, com sua grande colônia de sírios e libaneses, sempre teve a comida árabe como uma de suas principais influências gastronômicas, mas o shawarma só veio se popularizar, realmente, de uns 6 anos para cá.

Os refugiados sírios contribuíram um pouco com esta popularização, ao trazer suas receitas e abrir novos pequenos comércios de comida, principalmente na região central e no Brás.

Assim, hoje, vemos pipocar diversas versões do preparo das carnes no espeto vertical, não só o shawarma árabe como também o döner kebab turco e o gyros grego.

Como não amar os espetos de carne com fatias sobrepostas umas as outras até formar uma enorme torre, que gira no calor do forno, enquanto emana um cheiro maravilhoso ao redor?

Eu sou obcecado pelo troço e sempre que encontro algum ponto de venda dificilmente resisto em provar. A birosca do Largo do Paissandu me foi sugerida por amigo que, assim como eu, adora os espetos de carne assada na vertical.

Pedi o shawarma misto com fatias crocantes de carne de boi e de frango

Mesmo com tantas versões por São Paulo eu posso dizer por experiência própria, concordando com o meu camarada, que o shawarma do Aboud é um dos melhores da cidade. Bateu de longe o shawarma do Rosa do Líbano, também ali na região central, que até então era o meu predileto.

Tudo isso por inacreditáveis 13 pratas! É a própria definição de uma refeição boa e barata, com direito a atendimento em português, francês e árabe.

Eu cheguei cedo ao Largo do Paissandu e antes mesmo do meio dia já havia um séquito de clientes na porta do Aboud Shawarma (também conhecido como Aboud Síria), a maioria para carregar os sanduíches embrulhados para o trabalho.

O lugar é bem pequeno. Não cabem mais de 10 clientes por vez no espaço interno, onde um balcão serve de apoio para quem decide comer por ali mesmo – como eu. O esquema é sem frescura, para que curte lugares simples.

Inicialmente fui atendido por um rapaz que se disse “primo” do dono (não sei se primo de verdade, ou o costume árabe de apelidar o outro sempre de primo). Logo Aboud apareceu sorrindo. Foi até a calçada, distribuiu alguns panfletos e convidou transeuntes para provar sua comida.

Os árabes chamam de shawarma o sanduíche de pão árabe (ou folha) enrolado com a carne assada verticalmente no espeto giratório.  Pode ser carne de frango ou de cordeiro. Por aqui, pelo cordeiro não ser tão popular (infelizmente, diga-se de passagem), o mais comum é o de carne de boi ou frango.

A versão que se come em Sampa é bem parecida com a encontrada pelas ruas das grandes cidades da Europa, com o pão enrolado com as fatias de carne, salada e batatas fritas.

É um troço que não tinha como não dar certo em terras brasileiras, por ser bom, de saída rápida e na maioria das vezes barato como é o caso ali do Aboud.

O lugar é bem pequeno e o esquema sem frescura

O seu ponto, no Largo do Paissandu, é bastante estratégico para quem está de passeio pelo Centro de São Paulo, por ser próximo a vários lugares de interesse cultural e turístico.  Dá para curtir uma programação bacana e depois parar para um lanche ligeiro e bem em conta no Aboud.

O falafel de lá também me foi muito recomendado, mas este eu terei de voltar para provar outro dia.

Para fechar, uma curiosidade: o termo “shawarma”, maneira mais popular de escrever o nome do sanduíche no Brasil, está em inglês. Em francês (língua também falada em países árabes como a Síria e Líbano) escreve-se “chawarma”. O correto seria escrever xauarma em português, mas venceu a designação mais globalizada e praticamente não se vê a palavra xauarma por aí.

Vale para quem:

  • gosta de shawarma e das carnes assadas no espeto vertical servidas no pão
  • curte comida de influência árabe (o falafel de lá também é muito recomendado)
  • quer comer rápido, bem e barato na área do Centro de SP
  • gosta, ou não se incomoda, com lugares simples
  • quer carregar um bom lanche para o trabalho ou para casa
  • trabalha ou está passeando pelo Centro de SP

Aboud Shawarma & Comida Arabe

Funciona de segunda a sábado das 9h às 20h.

Endereço: Largo do Paissandu, 55 – República. São Paulo / SP

Contato: (11) 95842-1962

Para saber mais: facebook.com/aboud.siria