Box 62

Box 62

De São Paulo:

Quando passamos pelo Viaduto Júlio de Mesquita Filho, ali próximo à Avenida Brigadeiro Luís Antônio, é difícil reparar que por baixo da via fica o Sacolão da Bela Vista. Lá no Box de número 62 fica este restaurante charmosamente simples, cuja comida saborosa parece nos abraçar.

A falta aparente de conforto é totalmente compensada pela atenção do pessoal, a começar pela dona, Mara Rasmussen Azenha, responsável pelas criações da casa como as imperdíveis coxinhas.

Foi com uma coxinha de frango (R$ 9,00) que comecei minha jornada no local, depois de descer a Rua da Abolição e entrar no Sacolão, defronte ao Teatro Oficina. O salgado (preparado na massa de batata), é espetacular – certamente em minha lista das 5 melhores coxinhas de Sampa.

Box 62 no Sacolão da Bela Vista

Deu muita vontade de provar outros sabores de coxinha (são 6) incluindo Pernil na massa de mandioca e Carne Seca na massa de abóbora. Ou o elogiado Cuscuz de Camarão (R$ 13,00).

Estava sozinho e ainda teria de sobrar espaço para o prato principal, que ficam destacados num quadro junto da cozinha.

Eis aí outra boa dúvida: Moqueca de Pescada Cumbucu (R$ 40,00)? Lula à Provençal (R$ 52,00)? Paleta de Porco (R$ 40,00)? Moela (R$ 40,00)? Tudo muito tentador, mas foi a Língua Bovina que conquistou minha atenção aquele dia.

Coxinha de Frango: entre as 5 melhores de Sampa

Todos os pratos são servidos acompanhados de arroz (branco ou integral), farofa, banana-da-terra frita, chips de batata doce, legume e feijão – que para minha boa surpresa é o preto! É raro encontrar um local em São Paulo que sirva feijão preto de acompanhamento, já que tradicionalmente o paulistano só o utiliza na feijoada.

Senti-me quase que num boteco do Rio, feliz com meu feijãozinho preto (o verdadeiro feijão carioca, diga-se de passagem) junto da refeição.

Primeiro veio a salada e, logo em seguida, um belo prato cheio com a língua de boi no molho e todo o conjunto. O feijão veio numa cumbuca separada. É muita comida minha gente! Sinceramente eu acho que um casal normal, pedindo uma entrada cada, dividi aquilo lá numa boa.

O conjunto completo acompanhando a Língua de Boi

Meti a mão no garfo e ali na calma daquela tarde fui dando conta do recado com satisfação, sem deixar de pedir uma cervejinha para molhar a garganta. Uma comida confortável e muito saborosa. Tivesse uma rede ali naquele Sacolão eu teria deitado após o almoço, para relaxar debaixo do movimentado viaduto.

Boa parte dos ingredientes que Mara utiliza em sua cozinha é comprado por ali mesmo, como as carnes, verduras e legumes. Sua experiência com gastronomia na cena paulistana vem de longe.

Muito antes do seu Box 62, ela foi uma das precursoras da boemia da Vila Madalena, quando comandava o Bar da Terra no final dos anos 70, início de 80. Depois passou pelo Platibanda, bar tradicional que cheguei a conhecer antes dele fechar as portas (uma pena) há uns anos atrás.

Pimentinha boa para temperar

Mas atualmente Mara prefere fugir da confusão da noite e abre a sua casa somente no período do dia, num horário bastante extenso, no entanto: entre as 9 da manhã e as 18h30m da tarde.

Portanto, se quiserem comer coxinha no café da manhã, ou mesmo bater um almoço mais tardio, pode ir lá no 62 que será muito bem atendido e sairá feliz e abraçado por aquela comida.

Quanto a mim, para gastar a comilança fui me arrastando ladeira acima no Bixiga, por aquelas ruas de casebres antigos que parecem pausados no tempo, de movimento lento como o meu pisar. Mas logo voltei para o agito paulistano me enfiando na estação São Joaquim, já distante.

Vale para quem:

-curte comida brasileira

-adora coxinha

-está com muita fome

-gosta de lugares simples e despojados

-não se importa com calor

-está sozinho ou com amigos

-ama feijão preto, muito além da feijoada

Box 62

Funcionam de segunda a sábado das 9h às 18h30m

Endereço: Rua Jaceguai, 557 (Sacolão da Bela Vista) – Bela Vista. São Paulo / SP

Para saber mais: facebook.com/pages/category/Food-Stand/Box62-362180763955220/