Vila Isabel é terra de Martinho, de Noel, de samba e também é endereço de uma das vitrines de boteco mais fantástica do Rio de Janeiro, a do Gato de Botas.
Voltei a esse clássico da Zona Norte para contar por que o bar é uma referência quando o assunto é variedade de petiscos no Rio de Janeiro.
A história do Gato de Botas em Vila Isabel
O Bar Gato de Botas foi fundado em 2006 por Seu Agostinho Nascimento, personagem histórico da boemia local. Antes de abrir o próprio negócio, ele trabalhou por quase cinquenta anos no lendário Bar do Costa. Também na Rua Torres Homem, era um dos grandes símbolos da gastronomia de Vila Isabel, mas encerrou suas atividades em 2013.

Quando decidiu empreender ao lado dos filhos, Diego e Luís, Seu Agostinho trouxe consigo toda a experiência acumulada atrás do balcão, criando um bar que rapidamente ganhou identidade própria.
O Gato de Botas nasceu pequeno, praticamente resumido à famosa vitrine de petiscos. Com o tempo, expandiu-se, ganhou mais mesas e estrutura, mas manteve o espírito original. Após o falecimento de Seu Agostinho, em 2023, os filhos assumiram definitivamente a casa, mas preservaram o legado do fundador.
Aos finais de semana, quando também abrem para almoço, a casa fica bem cheia e a freguesia se espalha nas diversas mesas montadas na calçada.
Em dias de muito calor, inclusive, o pessoal até disponibiliza um chuveirão para quem quiser tomar uma ducha fria na cabeça.

A vitrine de petiscos que virou referência no Rio
O grande destaque do Gato de Botas sempre foi a vitrine. Ao chegar, o cliente se depara com uma variedade de petiscos que fazem um verdadeiro panorama da culinária popular do Rio.
A dificuldade ali é escolher por onde começar, entre joelho de porco, fígado de galinha, língua de boi, legumes na estufa e clássicos fritos.
Bolinho de vagem
Comecei pelo bolinho de vagem, meia porção com três unidades, ao custo de 30 reais. Crocante por fora e macio por dentro, são bolinhos grandes e a meia porção já dá para dividir numa boa, pensando em ainda seguir comendo por ali.

Bolinho de vagem é um clássico que remete às tradições portuguesas e italianas de empanar legumes em farinha e ovo.
Acreditam-se que os missionários portugueses que foram até o Japão levaram essa técnica tendo influenciado no surgimento do tempura japonês. Eu gosto de dizer que o bolinho de vagem é o tempura dos botecos cariocas.
Asa de frango com provolone
O meu segundo pedido daquela jornada domingueira foi a asa de frango desossada recheada com provolone. A meia porção saiu por 48 pratas. É o tipo de invenção que mereceria o prêmio Nobel da Ogrice.

A asa chega parcialmente desossada, com a pele bem frita e crocante, enquanto o provolone derrete por dentro. É um petisco bem interessante, ideal para acompanhar cerveja gelada.
Jornada pela culinária carioca
Diante a tantas opções tentadoras na vitrine do Gato de Botas é difícil decidir o que seguir petiscando. Um lance legal do bar é que eles criaram o combo vitrine (R$ 70,00), que te dá a possibilidade de escolher três tira-gostos em uma mesma porção. Fui de fígado de frango, língua de boi e o chamado trio amargoso, composto por quiabo, maxixe e jiló.
O trio amargoso
Esse trio merece destaque especial pela sua forte influência africana. Estamos falando de 3 leguminosas trazidas pelos negros da África: o quiabo, o maxixe e o jiló que se integraram definitivamente à culinária nacional.

O quiabo, por exemplo, tornou-se base de preparos como o frango com quiabo, enquanto o maxixe e o jiló ganharam espaço tanto em refogados quanto em estufas de boteco.
O fígado e a língua:
O que falar de fígado de galinha, algo que rolava muito em minha casa quando era criança. Não posso falar que era uma das minhas receitas prediletas em minha juventude, mas aprendia a apreciar fígado de galinha depois de velho. Não é todo boteco que você encontra.
Língua de boi é algo muito típico e popular nos botecos cariocas. Servida muitas vezes com purê de batatas e pratos feitos ou mesmo como petisco. Eu adoro tanto comer fora como preparar em casa.

Boteco tradicional de Vila Isabel
Quando conheci o Gato de Botas, ainda em 2006, ele ocupava apenas o espaço da vitrine. Hoje está maior, mais estruturado. A maioria das mesas fica na ampla calçada defronte ao bar, protegidas do sol por um amplo toldo.
Aos domingos, a casa costuma encher desde o meio-dia e em dias de calor intenso, há até chuveirão improvisado para refrescar a galera. É um clima bem democrático e descontraído típico de um boteco carioca.
Bar Gato de Botas
Endereço: Rua Torres Homem, 118, loja C – Vila Isabel. Rio de Janeiro / RJ
Horário: de terça a sexta das 17h às 23h. Sábado e domingo das 12h às 23h
Contato: (21) 98128-8252
Instagram: @bargatodebotas
Se você já conhece o Gato de Botas conta nos comentários qual é o seu petisco preferido lá no Instagram do Diários Gastronômicos , aqui no blog ou no canal no Youtube.
Quem estiver procurando outras dicas de bares e restaurantes no Rio de Janeiro dá um pulo na aba: comer e beber no Rio.
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Instagram: @bargatodebotas

