Nesta jornada do Diários Gastronômicos, eu fui até a Vila Maria, na Zona Norte de São Paulo, para conhecer o Nação Nordestina, restaurante que carrega mais de meio século de história, tradição e identidade nordestina.
Lá se pode provar o famoso caldo de mocotó da família Almeida, uma receita que começa em uma antiga Casa do Norte e atravessa gerações da mesma família.

A origem do Nação Nordestina e a história da família Almeida
A história começa muitos anos atrás, com uma Casa do Norte na Vila Aurora, comandada pelos irmãos Almeida, José, Gercino e Giovan. Dali nasceram três endereços fundamentais para a gastronomia nordestina em São Paulo.
O Mocotó, aberto por José e hoje comandado por seu filho, o chef Rodrigo Oliveira, o Mocofava, fundado por Seu Gercino Almeida e o Nação Nordestina, criado por Giovan Almeida e atualmente tocado por seu filho, Luciano Almeida.
São casas irmãs, com receitas que compartilham a mesma raiz familiar, mas cada uma com personalidade própria. As três, no entanto, tem em comum a receita do caldo de mocotó.

Caldo de mocotó: tradição, técnica e sustança
O caldo de mocotó é uma das receitas mais poderosas da culinária brasileira. Feito a partir da parte inferior da pata do boi, ele exige cozimento lento, até liberar toda a gelatina natural, responsável pela textura densa e cremosa do caldo.
No Nação Nordestina o caldo leva pequenos pedaços de mocotó visíveis e é bem encorpado. É o famoso levanta defunto.

Mocofava: o encontro do mocotó com a favada
Junto com o caldo de mocotó também pedi a mocofava, criação do Seu Gercino Almeida. O prato une o caldo de mocotó a outro clássico nordestino: a favada.
Enquanto o caldo de mocotó é mais fluido e concentrado na gelatina, a mocofava é acrescida das favas, criando quase uma disputa amistosa entre dois gigantes da casa. Difícil escolher. O melhor conselho é provar os dois.
Farinha e memória afetiva
Outro detalhe que faz diferença: a farinha de mandioca servida pura. Conversando com o Luciano, descobri que a farinha é produzida pelo próprio Rodrigo Oliveira, a partir da mandioca plantada em sua fazenda.
Isso me levou direto para a memória da minha avó Mary, pernambucana, que nunca dispensava farinha pura à mesa.

Sarapatel: uma receita potente
Não resisti ao sarapatel. Assim como os caldos, o restaurante dá a opção de escolher três tamanhos, o mini, médio e grande. Eu achei isso ótimo, pois permite que uma pessoa prove diferentes coisas, como no meu caso que estava sozinho.
De origem portuguesa, o sarapatel foi adotado no Brasil e ganhou modos de preparo próprios, especialmente no Nordeste. Tradicionalmente é feito com miúdos como fígado, coração, rins e tripas, além do sangue coagulado, resultando num caldo escuro, intenso e cheio de personalidade.
No Brasil, a versão mais comum leva miúdos de porco, mas no Nordeste também é muito frequente o preparo com miúdos de bode ou carneiro. É uma comida forte, para quem gosta de pratos intensos.

Jabá, jerimum e comida raiz
Seguindo a comilança, pedi uma porção de jabá frito. Jabá é a carne seca no Nordeste. No sul do Brasil é chamada de charque, apesar de algumas diferenças no preparo das duas, sendo o jabá menos salgado.
É justo o ponto de sal que destaco em relação ao jabá do restaurante Nação Nordestina. Certeiro. Servido numa pequena panelinha de metal, é um petisco que sempre me agrada.
Diga-se de passagem, um prato clássico nordestino é o Jabá com Jerimum, ou abóbora. Delicioso.

Cardápio farto: tachos, pratos feitos e clássicos nordestinos
O cardápio do Nação Nordestina é extenso e tentador. Além dos petiscos, para quem estiver buscando um rango mais consistente eu destaco os tachos bem servidos (a partir de R$ 36,50), com opções como frango com molho, pernil acebolado e dobradinha.
Também há opções de pê-efes fartos (em torno de R$ 47,50), com combinações como baião de dois, carne seca, feijão de corda, farofa de cuscuz e carne de sol.

Torresmo: pururuca e suculência
Minha ideia aquele dia, no entanto, era seguir petiscando. Sendo assim mandei um torresmo. Pedi inteiro para admirar aquele pedaço crocante e com pururuca perfeita. Um ótimo torresmo, com carne e suculência, do jeito que eu gosto.
Os salgados da casa
Deixei ainda um espaço para a sobremesa, que no meu caso foi uma porção com as seis opções de salgados da casa:

Lampião (croquete de massa de abóbora com carne seca e requeijão do norte), Maria Bonita (coxinha de massa de abóbora com pernil), Dadá (bolinho de mandioca com carne seca), Lisbela (coxinha de mandioca com parmesão e bacon, recheada de cupim e requeijão), Assum Preto (pastel de queijo coalho com carne seca) e Sabiá (pastel de queijo coalho).
Uma boa variedade de salgados. Todos estavam bons, mas vale um destaque para o croquete de massa de abóbora com carne seca e requeijão do norte.
O requeijão do norte é mais firme e intenso que o requeijão cremoso mineiro. E a carne seca com jerimum é uma combinação que sempre cai bem.

A jornada vale a pena?
Sim, o Nação Nordestina oferece comida farta, preços honestos e receitas que carregam história. Tem um clima mais raiz do que o seu primo Mocotó, o que pra mim sempre é um ponto positivo. Também vale um destaque a gentileza de Luciano, que recebe muito bem em sua casa. Não duvide que ele sente em sua mesa pra bater um papo.
O que eu comi (com preços)
- Caldo de Mocotó (mini) – R$ 20,00
- Mocofava (mini) – R$ 29,90
- Sarapatel (mini) – R$ 29,90
- Jabá frito (porção pequena) – R$ 18,50
- Torresmo (unidade) – R$ 16,50
- Porção de 6 salgados da casa – R$ 35,90
Nação Nordestina
Rua Kaneda, 894 – Vila Maria – São Paulo/SP
Terça: 11h30 às 21h | Quarta a sábado: 11h30 às 22h | Domingo: 11h30 às 16h
(11) 2989-4129 | (11) 2507-0049 | (11) 99619-5319
Instagram: @nacao_nordestina_bar
Site: nacaonordestina.com.br
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