Biyou’z Gastronomia Africana: culinária africana no Centro de São Paulo

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Biyouz Gastronomia Africana

Caminhar pelo Centro de São Paulo é, para mim, um exercício constante de descoberta. Entre edifícios antigos, galerias escondidas e o comércio pulsante, a cidade sempre revela algum tesouro gastronômico. Foi exatamente assim que cheguei ao Biyou’z Gastronomia Africana, uma das casas mais importantes quando o assunto é culinária africana em São Paulo.

Neste texto, compartilho minha experiência no restaurante, falo dos pratos que provei e conto a história por trás do Biyou’z — um lugar que conecta África e Brasil através da comida.

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O endereço na Alameda Barão de Limeira em Campos Elísios
Biyou’z: referência em gastronomia africana em São Paulo

O Biyou’z foi fundado em 2007 pela chef Melanito Biyuha, natural de Camarões. Ao chegar ao Brasil, Melanito se surpreendeu ao encontrar restaurantes de praticamente todas as partes do mundo em São Paulo, mas quase nenhum dedicado à culinária africana — algo especialmente contraditório em um país profundamente marcado pela presença africana na formação de sua cultura e de seu paladar.

Essa ausência foi o ponto de partida para a criação do Biyou’z. A proposta nunca foi representar apenas Camarões, mas sim diferentes regiões do continente africano, reunindo pratos da África Central, Ocidental e outras influências. Com o tempo, o restaurante se consolidou como referência na cidade.

Hoje, além da casa original no Centro, o Biyou’z conta também com uma segunda unidade na Consolação, inaugurada em 2020.

Ndumbe de Peixe: comida de rua africana no ponto perfeito

Comecei a experiência com uma entrada clássica: o Ndumbe de Peixe (R$ 42,00 a porção), um bolinho de peixe frito muito popular como comida de rua em países da África Central e Ocidental, como Camarões e Senegal.

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Ndumbe, o bolinho de peixe típico de Camarões

Costumo dizer que, em termos de importância cultural, o Ndumbe ocupa um lugar semelhante ao do bolinho de bacalhau para nós, brasileiros. A massa é praticamente toda feita de peixe moído, bem batido, com ervas. Um bolinho maciço onde o sabor do peixe é protagonista.

O grande diferencial vem no acompanhamento: o molho Ngansang, típico de Camarões. Trata-se de uma pasta feita com uma combinação complexa de ervas e especiarias, resultando em um molho aromático, profundo e viciante.

Kai: jiló recheado e herança africana no prato

Quem acompanha o Diários Gastronômicos sabe da minha paixão por jiló. Por isso, o Kai, jiló recheado com carne suína moída e servido com molho temperado, não me passou despercebido.

O petisco ne remeteu diretamente à culinária de boteco do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte. Mas tanto o jiló, quanto o quiabo, são ingredientes trazidos ao Brasil pelos povos africanos.

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Kai, o jiló recheado que me remeteu a típica comida de boteco do Rio de Janeiro

O jiló é nativo da África Ocidental, cultivado há séculos, e pertence à mesma família do tomate, da berinjela e do pimentão. As raízes da culinária botequeira do Brasil também tem suas ligações do outro lado do Atlântico.

No caso do Kai (R$ 27,00 a porção), o jiló é recheado com uma espécie de carne moída de porco e fica ainda mais interessante com o molho Ngansang.

Bicoye: galinha com quiabo e fufu de arroz

O prato principal foi o Bicoye (R$ 42,00), uma combinação que mistura tradições da África Central e Ocidental: galinha frita servida com molho de quiabo, tomate, cebola e fufu de arroz.

Esse prato me remeteu diretamente ao nosso frango com quiabo, tão presente em Minas Gerais e em partes de Goiás. Essa conexão não é coincidência: o uso do quiabo faz parte da herança alimentar banto, trazida de regiões como Angola e Congo.

No Brasil, essa base africana se misturou com ingredientes indígenas e técnicas portuguesas, dando origem ao prato que hoje consideramos tipicamente brasileiro.

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Bicoye, o frango com quiabo e fufu de arroz

O fufu de arroz é uma pasta densa e elástica, de sabor neutro, pensada justamente para ser consumida com molhos. Ele cumpre um papel semelhante ao do angu, funcionando como um complemento a carne ensopada.

Enquanto eu seguia comendo meu Bicoye, ficava ainda mais claro o papel do Biyou’z na cena gastronômica paulistana. O de lembrar que a África não é um bloco único, mas um continente múltiplo, rico e fundamental para entender a própria gastronomia brasileira.

Vale a visita?

Sem dúvida. O Biyou’z é um restaurante fundamental para quem se interessa por gastronomia africana, comida com história e pelas conexões profundas entre África e Brasil.

O difícil lá é conseguir escolher o que comer entre tantas opções interessantes do cardápio entre os pratos e petiscos.

Se você já conhece o Biyou’z, me conta: qual prato mais te marcou?

Unidade República: Rua Alameda Barão de Limeira, 19.

Unidade Consolação: Rua Fernando de Albuquerque, 95

Horário: Segunda a domingo, das 12h às 23h

Para saber mais: instagram.com/biyouzgastronomiaafricana

Espero que tenham gostado das dicas. Quando derem um pulo no Guanabara e na Godinho não deixe de falar pra mim como foi a experiência no Instagram do Diários Gastronômicos , aqui no blog ou nos comentários do canal no Youtube.

Quem estiver procurando outras dicas de bares e restaurantes em São Paulo dá um pulo na aba: comer e beber em Sampa 

 

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