Mercado de São Pedro em Niterói compre o peixe e frite no boteco

Para quem gosta de peixes e está no Rio de Janeiro, um programa obrigatório é passar um final de manhã e início da tarde no Mercado de Peixe de Niterói, ou Mercado de São Pedro, santo padroeiro dos pescadores.

É o principal entreposto de vendas de pescados do Grande Rio, abastecido principalmente pelas colônias de pescadores locais. Ou seja, lá o peixe fresco é garantido.

Corredor de peixarias do Mercado de Peixe São Pedro, em Niterói, com boxes especializados na venda de peixes e frutos do mar frescos.
O térreo do Mercado de São Pedro reúne dezenas de peixarias familiares

O mais legal de tudo, no entanto, é que você pode escolher o peixe no primeiro andar onde estão as peixarias e levá-lo para preparar na mesma hora num dos botecos do segundo. Um ritual que mistura mercado popular, tradição pesqueira e botecagem.

A travessia e o chamado do peixe

A travessia de barca já faz parte do passeio até o Mercado de Peixe de Niterói, com a Baía de Guanabara abrindo caminho para o que vem pela frente.

Estava atrás de peixe. Mas não qualquer peixe. Um peixe fresco escolhido ali, na hora, na peixaria. Deixaria para decidir qual tipo de peixe conversando com o próprio peixeiro.

Cliente escolhendo um dourado-do-mar na tradicional Peixaria Guimarães, no Mercado de Peixe São Pedro, em Niterói.
Na Peixaria Guimarães escolhi um dourado-do-mar fresco
A escolha no balcão: Peixaria Guimarães

No primeiro andar do Mercado e Peixe de Niterói há dezenas de boxes com peixarias ao longo de um comprido corredor. Uma grande imagem de São Pedro recebe o público logo que entramos no prédio.

Cada cliente parece ter sua peixaria predileta, aquela em que já compra há anos. É até difícil decidir por onde parar. Cada uma com seu balcão repleto de pescados e frutos do mar.

Decidi aportar na tradicional Peixaria Guimarães, que fica bem nos fundos do corredor. Ali, com a ajuda do Guilherme, filho do seu Gilberto, figura conhecida no mercado, escolhi o meu pescado: um belo dourado-do-mar de 1,3 kg.

Peixes frescos expostos sobre gelo em peixaria do Mercado de Peixe São Pedro, em Niterói, incluindo espécies pescadas na costa fluminense.
Peixes frescos expostos sobre gelo aguardam os clientes em um dos tradicionais boxes do Mercado de Peixe
O Dourado-do-Mar

Um peixe de carne firme, o Dourado-do-Mar tem sabor suave e pouca espinha, caindo bem tanto para moquecas quanto para fritura.

É uma espécie de mar aberto, mas que se aproxima da costa para acasalar e costuma aparecer em todo o litoral do Estado do Rio de Janeiro em algumas épocas do ano. O que escolhi, na verdade, era bem pequeno em relação a média da espécie, que pode chegar a 40 kg.

O melhor de tudo foi o preço. Deu algo em torno de R$ 29,00 o quilo, valor quase inacreditável para quem está acostumado com feiras e mercados da cidade do Rio ou de São Paulo.

Corredor do segundo andar do Mercado de Peixe São Pedro com os tradicionais bares e restaurantes especializados em peixes e frutos do mar.
Os botecos do segundo andar têm ambiente simples e descontraído
Subindo para o boteco: Bar do Wagner

Com o peixe em mãos, eu subi as escadas até o segundo andar do Mercado de São Pedro para a etapa seguinte deste maravilhoso programa.

Agora tinha de escolher um dos botecos para fritar o meu peixe. São alguns bares ao longo do corredor, todos com mesas simples e clima informal.

Parei no Bar do Wagner, um dos mais clássicos do mercado. O próprio Wagner de Souza, dono do bar, carrega uma história gloriosa: foi goleiro do Botafogo de Futebol e Regatas no título brasileiro de 1995. Depois que parou de jogar resolver abrir o seu bar.

Mas poderia ter ido em qualquer outro. A verdade é os botecos são muito parecidos, com cardápios semelhantes e em todos você pode levar o peixe que eles preparam na hora.

Pastel de polvo do Bar do Wagner no Mercado de São Pedro em Niterói
O pastel de polvo vem bastante recheado
Pastel de polvo e o início da comilança

Quem não quiser chegar com peixe, no entanto, os bares ofertam suas próprias comidas e petiscos.

Lá no Bar do Wagner, por exemplo, me sugeriram começar pelo pastel de polvo e reparei que havia diferentes opções de peixe como prato principal, caso quisesse.

Pedi para o pessoal fritar meu peixe e enquanto esperava solicitei um pastel de polvo. Que pastel de polvo! Muito recheado, sem embromação. Pedaços generosos de polvo, sem truques. Difícil encontrar um pastel de polvo assim a não ser por ali. Ainda mais naquele preço!

Dourado-do-mar frito servido no Bar do Wagner, no Mercado de Peixe São Pedro, em Niterói, preparado com peixe comprado no próprio mercado.
O dourado-do-mar comprado na Peixaria Guimarães foi frito no Bar do Wagner
O dourado frito com pirão

Ao finalizar o meu pastel de polvo o peixe frito pousou numa imensa travessa a minha frente. O dourado, frito em postas, com cabeça incluída, ocupando o centro da mesa de plástico como protagonista do dia. Um belo e grande prato.

A carne do dourado é branquinha, suave e mais firme, sem se desfazer nas garfadas e veio com aquela crocância externa que só uma boa fritura entrega. Joguei um pouco de limão e uma pimentinha, da casa, sempre essencial.

Caldo de frutos do mar servido no Bar do Wagner, no Mercado de Peixe São Pedro, em Niterói, preparado com camarão, lula, polvo e mexilhão.
O pirão de peixe foi o acompanhamento do almoço

Como acompanhamento eu pedi uma porção de pirão. Veio numa grande cumbuca, borbulhando, cremoso e muito saboroso.

Eis aí uma das receitas mais antigas do Brasil, o pirão. Carrega uma história que vem dos povos indígenas, muito antes da chegada dos europeus. O caldo de peixe engrossado na farinha de mandioca é uma coisa simples, fantástica e muito brasileira.

Mesas dos botecos do segundo andar do Mercado de Peixe São Pedro, em Niterói, onde restaurantes preparam peixes e frutos do mar frescos comprados nas peixarias do mercado.
As mesas dos botecos do segundo andar do Mercado de Peixe São Pedro
Caldo de frutos do Mar

Poderia ter terminado muito feliz naquele peixe com pirão, mas não resisti ao caldo de frutos do mar que tinha visto no cardápio. Pelo valor, supus se tratar de algo pequeno. Mas fiquei surpreso ao ver a grande cumbuca com caldo fumegante a minha frente.

Não perdi tempo e meti a colher. Um caldo denso, muito saboroso e sortido de frutos do mar. No Rio de Janeiro não lembro de ter comido um caldo melhor e tão recheado de pedaços de polvo, lula e mexilhão. Uma maravilha.

Caldo de frutos do mar do Bar do Wagner, no Mercado de São Pedro em Niterói.
O caldo de frutos do mar bem sortido de polvo, lula e mexilhão
A história do Mercado de Peixe de Niterói

O Mercado de São Pedro é parte da história da cidade de Niterói. Sua origem remonta ao final do século XIX, quando pescadores vendiam diretamente seus produtos na região da Ponta da Areia, em estruturas improvisadas sobre palafitas.

Com o tempo, o crescimento da cidade e a reurbanização da orla do centro, o antigo espaço teve de mudar de local.  Foi por meio de um movimento encabeçado pelos próprios comerciantes que se deu a compra do terreno e construção do mercado onde ele funciona até hoje.

Vista superior de uma peixaria do Mercado de Peixe São Pedro, em Niterói, mostrando a exposição de peixes frescos e o movimento de clientes.
Do mezanino é possível observar o movimento das peixarias

O prédio atual foi inaugurado em 1971 e segue como um dos principais polos de pescado do estado. Ali, famílias inteiras vivem do comércio de peixe há gerações. Muitos dos boxes são passados de pais para filhos, mantendo viva uma tradição que resiste ao avanço das grandes redes.

Vale a pena ir ao Mercado de Peixe de Niterói?

Vale muito! Do atravessar da Baia na barca, a compra do peixe e conversa com os peixeiros, terminando com uma bela refeição num dos botecos do segundo andar.

É um programa de almoço, já que as peixarias fecham cedo e os bares se estendem também só até o final da tarde.

Corredor principal do Mercado de Peixe São Pedro, em Niterói, com peixarias familiares e acesso aos restaurantes do segundo andar.
O Mercado de São Pedro reúne 39 peixarias

A minha dica é dar preferência, se possível, aos dias da semana, quando o movimento é bem mais tranquilo. Nos fins de semana, o mercado ferve, o que também tem seu charme, mas exige paciência.

E você, já foi no Mercado de São Pedro? Deixe o seu comentário no Instagram do Diários Gastronômicos , aqui no blog ou no canal no Youtube.

Quem estiver procurando outras dicas de bares e restaurantes no Rio de Janeiro dá um pulo na aba: comer e beber no Rio.

Endereço: Avenida Visconde do Rio Branco, 55 – Centro, Niterói / RJ

Horário das peixarias: terça a sábado das 6h às 15h. Domingo e segunda: 6h às 13h.

Horário dos restaurantes: terça a domingo das 10h às 17h. Segunda das 10h às 15h.

Contato: 2620-3446

Para saber mais: instagram.com/mercadodepeixesaopedro

 

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