O Opus é um desses lugares que coloco na minha lista de botecos imperdíveis do Rio de Janeiro, um templo sagrado dos sanduíches e do chope bem tirado.
Sempre que caminho pelo Centro do Rio e passo pela Rua Gonçalves Dias acabo não resistindo em encostar a barriga naquele balcão. O movimento é intenso por ali, almas ávidas por um sanduíche. A conversa rola solta e o clima é descontraído e amigável.

Muitos clientes são assíduos. É como um clube de velhos amigos. O pessoal da casa parece já saber como cada um prefere o seu pedido.
Fundado em 1968, o Opus atravessou mudanças econômicas, transformações urbanas, crises e modismos gastronômicos sem abandonar sua essência.
O nome, que significa “obra” ou “trabalho” em latim, foi escolhido por seu fundador, Seu Zé e continua descrevendo perfeitamente o que acontece atrás daquele balcão todos os dias: uma devoção quase artesanal à produção de sanduíches que conquistaram gerações de cariocas.

O espaço continua praticamente o mesmo.
O espaço se define por um corredor estreito de bancos fixos, paredes revestidas de azulejos, painéis gastos anunciando os sanduíches e uma movimentação constante de clientes que entram, comem e saem. Muitos deles fazem esse mesmo ritual há décadas. Outros chegam pela primeira vez atraídos pela fama do lugar.
Fazem 20 anos que local mudou para as mãos do Fernando, sempre atencioso e conversador. Mas o bar da Gonçalves Dias segue firme servindo seus clássicos praticamente da mesma forma desde que abriu as portas em 1968.
O que mantém o Opus vivo está atrás do vidro do balcão: enormes peças de pernil, carne assada e, quando disponível, tender. São elas as verdadeiras estrelas da casa.

Pernil com Queijo e Abacaxi
Comecei minha visita pelo sanduíche mais famoso, o pernil com queijo provolone e abacaxi. Não é exagero dizer que ele está entre os melhores do Rio de Janeiro.
O pernil passa cerca de sete horas assando lentamente no forno. Depois ainda recebe uma generosa quantidade do molho da casa antes de ser colocado no pão francês. O resultado é uma carne macia, úmida e saborosa.
O abacaxi caramelizado acrescenta um adocicado que cai perfeitamente com o queijo provolone. Um belíssimo e imponente sanduba de pernil.
Na realidade, para quem deseja seguir provando outros sabores, o ideal é dividir, porque o troço é uma refeição.

Sanduíche de carne assada
Logo depois veio o sanduíche de carne assada. Como no caso do pernil, a carne é mergulhada no famoso molho de cebolas do Opus. Ele é parte fundamental da identidade do prato, sem o qual o sanduíche simplesmente não seria o mesmo.
A carne assada que eles usam é a de coxão duro. No Rio, quando a gente fala de carne assada, geralmente estamos nos referindo ou a Lagarto, ou a Coxão mole ou duro.

A principal diferença entre o coxão mole e o coxão duro está na textura da carne, no tamanho de suas fibras e no tempo necessário para o cozimento. São cortes da parte traseira do boi, mas localizados em lados opostos da coxa.
No caso do coxão duro, como é um musculo mais exigido do boi, a carne tem fibras longas, mais firmes, rígidas e ricas em colágeno e mais gordura. Por isso ela exige muito mais cozimento para ficar num ponto bom.
No entanto, é deliciosa quando bem-preparada, justamente por ter esse colágeno e maior percentual de gordura.

Sanduíche de tender
Infelizmente o sanduíche de tender estava em falta no dia dessa minha passagem. É mais um que sempre adorei pedir por lá.
Segundo a equipe da casa, o problema atingiu outros tradicionais estabelecimentos cariocas conhecidos por servir o produto como o Parada de Copa e o Cervantes. Vai ficar para a próxima visita. As próximas, melhor dizendo.
Mas a surpresa final acabou vindo de um sanduíche inventado por um cliente, o Pinheirinho.

O sanduíche do Pinheirinho
Ao contrário do que muita gente imagina, Pinheirinho não é apenas o nome do sanduíche. É o apelido de um cliente histórico da casa.
Velho frequentador do balcão do Opus, Pinheirinho sempre era específico em seu pedido: sanduíche de salame, queijo, molho de cebolas e abacaxi, servido fatiado para ser degustado como um petisco.
Ao longo dos anos esse estilo começou a ficar famoso no local e acabou entrando oficialmente no cardápio com o nome de seu inventor.
Uma dessas histórias que só sobrevivem em lugares com décadas de convivência entre funcionários e frequentadores.

Rua Gonçalves Dias
Mas discorrer sobre o Opus também é falar da Rua Gonçalves Dias, uma das mais charmosas do Centro do Rio.
É uma rua histórica, que preserva o traçado herdado dos tempos coloniais. Já foi conhecida como Rua dos Latoeiros, por concentrar artesãos e ferreiros, e foi ali que Tiradentes foi localizado e preso em 1789.
Décadas depois, a via se transformaria em um dos principais endereços comerciais da cidade, incluindo a histórica Confeitaria Colombo. Foi também dali que partiu o primeiro bonde rumo à Zona Sul.
Gosto de caminhar por lá e observar os sobrados antigos e as construções da Belle Époque carioca.
Sobretudo para terminar encostando a barriga no balcão do Opus para um chope gelado, um bom papo e um sanduíche fenomenal.
Gostou da dica? Então quando der um pulo lá não deixe de falar pra gente como foi a experiência no Instagram do Diários Gastronômicos ou aqui no blog.
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Opus
Endereço: Rua Gonçalves Dias, 80 – Centro. Rio de Janeiro (RJ).
Horário: de segunda à sexta das 6h às 9h. Sábado das 6h às 15h.
Contato: (21) 2252-0604
Para saber mais:
instagram.com/opusrio
