O que mais gostei no Bar Sambódromo foi perceber que a criatividade nunca substituiu a tradição. Os pratos clássicos continuam lá, como carne assada, dobradinha, feijoada e carne de sol. Mas o cardápio também apresenta petiscos inspirados em diferentes referências gastronômicas. Essa convivência entre o clássico e o novo talvez seja o maior acerto da casa.

A língua de boi empanada genial
Não perdi tempo e comecei justamente pelo carro-chefe da casa: a famosa língua de boi defumada e empanada. Basta uma mordida para entender o motivo de tanta fama. A casquinha de farinha panko é crocante, enquanto o interior é macio, com o sabor defumado maravilhoso.
Não posso dizer que seja a melhor língua de boi do mundo, como brincam os donos, mas certamente está entre as melhores que já provei no Rio.

Para completar, a porção ainda vem acompanhada de um espetacular molho chimichurri que daria inveja a qualquer argentino.
Língua de boi ainda desperta certa resistência em muita gente. Puro preconceito. Quando bem-preparada é um dos cortes mais macios e saborosos do boi. Para quem nunca provou, a versão empanada do Bar Sambódromo é uma ótima maneira de despertar para essa delícia culinária.

Quando a Ásia encontra o botequim carioca
A Galinha Coreana representa bem esse sincretismo gastronômico. As asinhas chegam cobertas por um molho preparado com gochujang, tradicional pasta de pimenta fermentada da culinária coreana, com um sabor picante e agridoce.
Foi justamente essa bagagem que Anderson Zoroastro trouxe para o negócio da família. Ele passou a incorporar ingredientes e técnicas asiáticas nos petiscos do bar.
Outro exemplo é o gyoza de porco, servido com molho ponzu de tucupi e repolho caramelizado.

Petiscos criativos
Mas essa criatividade se aplica a outros pedidos como o Polvoralho, um criativo pão de alho recheado com polvo, que mistura duas tradições cariocas, o polvo e o pão de alho, porém servidos de maneira totalmente diferente.
Fechei a visita com um bolinho de pato, crocante por fora e recheado com carne desfiada. Mais uma demonstração de que o Bar Sambódromo aposta em ingredientes pouco comuns na cozinha de botequim, sempre com boa execução.

Muito além dos petiscos
Enquanto conversava com Anderson, fiquei pensando que o Bar Sambódromo representa um movimento interessante que venho observando nos botequins cariocas. Durante muito tempo parecia haver apenas dois caminhos: permanecer exatamente igual ou se transformar em um new boteco fake. Felizmente, alguns bares mostram que existe uma terceira alternativa.
No Bar Sambódromo o ambiente continua simples, o balcão permanece o mesmo e os pratos tradicionais seguem no cardápio.

Sempre defendi que preservar a cultura botequeira não significa impedir sua evolução. A gastronomia está em constante transformação e os botequins também fazem parte desse processo.
O mérito do Bar Sambódromo está justamente em mostrar que é possível inovar sem descaracterizar um boteco. Em vez de transformar o espaço em um boteco chique e artificial, Anderson preferiu preservar a atmosfera criada pelo pai e renovar apenas o cardápio.
Como ele mesmo costuma dizer, “o botequim pode ser o que quiser.”

Vale a visita?
Sem nenhuma dúvida. O Bar Sambódromo agrada tanto quem procura um almoço tradicional quanto quem gosta de experimentar petiscos criativos. Saí de lá impressionado com a língua de boi, gostei bastante da Galinha Coreana e achei o Polvoralho uma das ideias mais interessantes do cardápio.
A visita reforçou uma impressão que venho tendo nos últimos anos: alguns dos melhores botequins do Rio continuam vivos porque entenderam que tradição e criatividade podem caminhar juntas.
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Bar Sambódromo
📍 Avenida Salvador de Sá, 77 – Cidade Nova – Rio de Janeiro – RJ
🕒 Terça a sábado, das 11h às 23h | Domingo, das 11h às 18h
📱 Instagram: @barsambodromo