O Kebab Salonu foi uma grata surpresa desde a primeira vez que conheci a casa ainda nos tempos da Heitor Penteado. Até então eu não tinha contato com a culinária turca. Foi lá que descobri as pides, que não são bem esfihas, nem pizzas. Uma maravilha tentadora que me fez virar fã do local.
O que é a pide turca? Não é pizza e nem esfiha
Existe uma tendência natural de tentar comparar a pide turca com coisas que já conhecemos. Uns chamam de pizza turca. Outros dizem que parece uma esfiha gigante. Mas a verdade é que a pide é uma outra coisa, é simplesmente pide.
É claro que pizza, esfiha e pide possuem um ancestral comum: os antigos pães achatados consumidos há milhares de anos por civilizações como egípcios, fenícios e babilônicos. Mas cada uma dessas receitas seguiu seu próprio caminho na evolução cultural.

A pide turca é um pão alongado, em formato de barco, geralmente moldado à mão e assado com as bordas dobradas para dentro, justamente para segurar o recheio durante o cozimento.
O recheio se integra à massa de uma maneira diferente da pizza. Não parece apenas uma cobertura. É quase um pão recheado. A massa é leve, macia e delicada. Mais fofa que uma pizza, mas também diferente da esfiha sírio-libanesa.
A Kuşbaşılı Pide
Pedi a Kuşbaşılı Pide (R$ 31), uma combinação de cordeiro, ricota turca, cebola, tomate fresco, berinjela, pimentão e azeite.
O cordeiro estava espetacular. Temperado sem exagero, saboroso e muito equilibrado com a ricota fresca e os tomates. A massa excelente também. E claro, não dispensei as pimentas da casa.
Primeiro testei a pasta de pimenta, mais aromática e um mix de pimentas em pó que realmente pega forte. Daquelas que começam suaves e depois vêm crescendo.
Tudo artesanal. E isso faz muita diferença.
A história do Kebab Salonu
O nome “Kebab Salonu” significa literalmente “salão de kebab”. O restaurante abriu em 2007, no Baixo Augusta. Depois migrou para a Rua Heitor Penteado, onde ficou por cerca de dez anos. Foi quando eu conheci o local e me tornei fã.

Agora, já nessa nova fase na Rua Apinajés, em Perdizes, o restaurante parece mais maduro, mais íntimo e ainda mais autoral. À frente está o chef Rodrigo Libbos, descendente de famílias turcas e libanesas. E isso reflete diretamente no cardápio.
Rodrigo também é pesquisador e professor de gastronomia. Existe um cuidado com os ingredientes, os processos e os temperos. Tudo é feito na própria casa, desde o pão, passando pelas mezes e até o zaatar.
Lahmacun: a famosa “esfiha de Antáquia”
Depois da pide, fui para outro clássico: o lahmacun. Muita gente chama de “esfiha turca”, mas novamente a comparação é simplista.
O lahmacun é típico da região de Antáquia, ao sul da Turquia, perto da fronteira com a Síria e do Líbano. Uma região marcada por uma enorme mistura cultural e gastronômica.
A massa é extremamente fina, quase como um pão folha crocante, coberta com carne temperada e especiarias. Em termos de aspectos lembra um pouco uma pizza mesmo, pelo formato arredondado e grande.
Já conhecia lahmacun de minha passagem pelo mercado Kinjo Yamato, no Centro de São Paulo. Mas é um petisco ainda não tão fácil de encontrar em São Paulo.
Pedi a versão tradicional de carne (R$ 19) e finalizei com limão espremido por cima. Tem algo de pizza, algo de esfiha, algo de pão sírio, mas ao mesmo tempo não é nada disso exatamente.
O kebab de cordeiro espetacular
O grande protagonista do almoço foi o Lahmacun & Halep Köfte (R$ 56,00). Basicamente, eles pegam o lahmacun e enrolam nele uma kafta de cordeiro, junto com tomate, cebola, ervas e melaço de romã. O resultado é um dos melhores sanduíches que comi nos últimos tempos em São Paulo.

E aqui vale uma explicação importante: muita gente acha que kebab é apenas aquele sanduíche vertical famoso pela Europa. Mas kebab, na verdade, é um termo muito mais amplo na culinária turca.
Está relacionado ao preparo de carnes na brasa e no espeto. Existe o şiş kebab, o döner kebab, o adana kebab e várias outras versões.
Esse lahmacun enrolado com cordeiro foi um negócio especial, com uma carne muito bem temperada, a massa fina do lahmacun e junto disso uma batata frita com zaatar simplesmente divina.
Aliás, essa frita eu já conhecia desde os tempos da Heitor Penteado. Continua maravilhosa.
Mezes: as famosas pastas de entrada
Depois de toda essa comilança, achei que não conseguiria mais comer nada. Mas não dava para sair sem provar o Mix de Mezes (R$ 51,00).

“Meze” significa algo como aperitivo ou petisco para ser compartilhado. É uma tradição muito presente na culinária turca e em diversos países do Oriente Médio. No Brasil conhecemos bem, por exemplo, a pasta de grão de bico libanesa.
O mix que pedi veio com: Cacik (iogurte com pepino e ervas), Balkabağı Humus (homus com abóbora defumada), Abagannush (pasta de berinjela defumada), Acılı Ezme (tomate, romã e pimentão), Çökelek Peyniri (ricota com especiarias) e frutas secas com melado. Tudo muito fresco, delicado e equilibrado.
O homus com abóbora foi uma das coisas mais interessantes da noite. Já o abagannush tinha aquele sabor de brasa que eu gosto muito.

Vale a pena conhecer o Kebab Salonu?
Sem nenhuma dúvida. É um lugar que apresenta a culinária turca de maneira extremamente artesanal e cuidadosa. Agrada também quem gosta de gastronomia com história.
Espero que tenham gostado da dica. Quando derem um pulo lá não deixe de falar pra mim como foi a experiência no Instagram do Diários Gastronômicos , aqui no blog ou nos comentários do canal no Youtube.
Quem estiver procurando outras sugestões de bares e restaurantes em São Paulo dá um pulo na aba: comer e beber em Sampa
Kebab Salonu
Endereço: Rua Apinajés, 597 – Pompeia, São Paulo
Horário: Terça a domingo: 12h às 16h e 18h às 22h
Contato: (11) 3803-8986
Para saber mais:
Instagram: @kebabsalonu kebabsalonu.com.br